Data

29-07-2019


Medida

Garimpeiros ilegais de ouro ameaçam lideranças da comunidade Yanomami, que começaram a denunciar o garimpo ilegal em terras indígenas, o que aumentou as perseguições. (Mais Informações aqui)


Impacto

Os indígenas afirmam que as invasões dispararam nos últimos sete meses. De acordo com sua contagem, até 20.000 mineiros estão atualmente no território em busca de ouro. Eles desmatam, cavam buracos na terra e contaminam o solo e a água com mercúrio. Além disso, são construídas pistas de pouso clandestinas, me meio ao território Yanomami, para levar suprimentos e o ouro encontrado. Vôos recentes identificaram, além de casas improvisadas, bares, pontos de wifi e cabarés nas áreas de mineração. Segundo Dario, vice-presidente do Hutukara: "Esses mineiros não trabalham sozinhos. Eles têm muito apoio e financiamento de políticos importantes e grandes empresários".

As denúncias são ecoadas por ONGs dentro e fora do país, como a Survival International. "Achamos que é extremamente importante mostrar ao mundo o que está acontecendo. Vemos que a pressão internacional é a melhor maneira de alcançar mudanças duradouras para as comunidades indígenas e seus territórios", disse Sarah Shenker, pesquisadora da organização com sede em Londres.

Também é importante destacar que, segundo o antropólogo Marcos Wesley, que atua na região há mais de 20 anos, este é o momento mais grave desde a primeira grande invasão da terra indígena Yanomami. Segundo Wesley, até os locais mais remotos, onde a presença de garimpeiros não era registrada anteriormente, estão sendo afetados. Embora as investigações estejam sendo conduzidas em segredo, fontes que preferiram não ser identificadas por questões de segurança dizem que as investigações tentam localizar os financiadores da extração ilegal de ouro, que também podem estar associados ao crime organizado internacional.


Em março, o jornal Folha de Boa Vista divulgou nota oficial da Coordenação Geral de Estudos Econômicos e Sociais da Secretaria de Estado do Planejamento que contabilizava mais de cem quilos de ouro exportados para a Índia nos primeiros quatro meses de 2019. O estado , por outro lado, não possui uma única mina legalizada para a extração do minério.

Segundo o jornal, o valor da exportação chegou a US$ 4,5 milhões. O ouro de Roraima seria vendido aos índios por empresas sediadas no município de Caieiras, em São Paulo.

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Data

20-06-2020


Medida

Jovens ativistas Yanomami são assassinados por garimpeiros em Roraima (mais informações disponíveis aqui)


Impacto

Um conflito na Terra Yanomami resultou na morte de dois jovens indígenas, de 20 e 24 anos, em Roraima. As vítimas foram atacadas a tiros no meio da floresta por garimpeiros armados, informou nesta sexta-feira (26) o Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kuana (Condisi-Y).


As vítimas estavam em um grupo de cinco indígenas quando se depararam com os dois garimpeiros perto de uma pista clandestina de pouso de helicópteros.

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Data

17-08-2022


Medida

Assassinato de 176 indígenas durante o terceiro ano do governo Bolsonaro (mais informações disponíveis aqui)


Impacto

Só no terceiro ano do governo de Jair Bolsonaro, 176 indígenas foram assassinados no país.


Além disso:

O relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, publicação anual do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), registra 355 casos de violência contra indígenas ao longo de 2021. É o maior índice desde 2013, quando a forma de contagem foi alterada.


Em 2020 foram 304 casos – que, além de mortes, incluem ameaças, lesões, racismo, violência sexual e tentativa de homicídio. De um ano para o outro, portanto, houve um aumento de 51 episódios desse tipo. "É um grau de violência que ainda não tínhamos visto dessa forma", resume Lucia Helena Rangel, assessora antropológica do Cimi.